GPT-isms
As palavras, os clichês e os padrões que começam a denunciar um texto produzido por inteligência artificial
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Bom dia! ☀️
Radar da semana
😍 GPT-isms
🎯 Bernard Arnault na mira
🎞️ Festival Filmes Incríveis
🎧 Charli no Fashion Neurosis
💃🏻 Chloé Girls
👜 Tessere, nova (e linda) marca
📸 Os outros campos de Hick Duarte
😡 Furious
🎵 Uma música do ❤️
GPT-isms
As palavras, os clichês e os padrões que começam a denunciar um texto produzido por inteligência artificial
Uma vez, conversando com uma pessoa de uma editora sobre a possibilidade de escrever um livro, ela avisou: “a gente aqui tem detector de IA”. Na hora, eu falei: “ok, que bom", mas fiquei pensando que eu escrevo há 20 anos - não existia Google, Instagram muito menos chatGPT - será que ela acha que vou escrever com IA?
O fato é que hoje, muito do que a gente lê, de matérias em revistas a posts no Instagram, é escrito por IA (GPT, Gemini e Claude sendo as principais ferramentas). Este texto não é um julgamento de quem usa - eu também uso para muitas funções, como se eu tivesse um assistente hiper qualificado e que sabe fazer as coisas que eu não sei.
As escolas e universidades também estão enfrentando questões como o uso de IA para fazer trabalhos e lições de casa. Por isso, existem hoje vários detectores que checam a quantidade de IA que um texto tem. A ironia é que elas também são IA e podem “alucinar” e chegar a conclusões erradas.
Alguns serviços de detecção são falíveis e podem prejudicar as pessoas envolvidas. Vi esses dias um post de um professor que deu zero em um trabalho para a maior parte de seus alunos porque identificou o uso de inteligência artificial. Caso ele esteja certo, achei uma ótima atitude porque, se deixar, a gente não faz mais nada - porque tem quem faça - e as próximas gerações terão cada vez menos habilidade de reflexão, de defender seus posicionamentos e pensar por conta própria.
Mas também há inúmeros relatos na internet de estudantes que tiveram seus trabalhos falsamente identificados como gerados por IA por um desses detectores.
Então, sigo batendo neste ponto: a IA não veio para substituir nosso senso crítico e cada vez mais, ela vai exigir discernimento da gente. Precisamos aprender a desconfiar de conteúdos que parecem reais e entender que essa tecnologia pode ser usada para manipular informações (atenção especial em anos eleitorais). Ao mesmo tempo, podemos aproveitar seu enorme potencial para estudar, pesquisar e criar. Vencer essa batalha, sabemos que não vamos, então é mais sobre as escolhas que fazemos no uso dessa tecnologia.
Como a gente já percebe quando o texto foi escrito por alguma ferramenta:
Travessão: a IA ama usar travessão e acaba fazendo de forma excessiva. Eu gosto também de usar e agora fico preocupada que vão achar que meu texto é IA haha
Perfeição: texto muito perfeito, porém frio e artificial. É correto e fácil de ler, mas a gente não enxerga a pessoa por trás do texto.
Separação do texto em sub capítulos: em vez de fazer um texto corrido, a ideia é fatiada por trechos pequenos com pouca profundidade e separada por títulos.
Falta de opinião: evita opiniões fortes, posicionamento, sem tom de voz ou ponto de vista.
Palavras não usadas normalmente: a Universidade de Helsinque fez um estudo incrível em 2025 para identificar mudanças nas redações de estudantes antes e depois do ChatGPT. Os pesquisadores descobriram que algumas palavras tiveram um aumento expressivo no uso. Hoje, as universidades precisam de diretrizes oficiais que definem como a inteligência artificial pode e não pode ser utilizada em contextos acadêmicos e quais ferramentas são aprovadas para pesquisa e escrita.
Veja na tabela abaixo como algumas palavras, de repente, aumentaram em uso, antes e depois do gpt. Na língua inglesa, a palavra foster teve um aumento de 10,8 vezes no uso após o ChatGPT; já delve passou a ser usada 10,5 vezes mais frequentemente.
Nós somos falíveis, apaixonados, nossos textos traduzem o que estamos sentindo ou nosso ponto de vista relacionado a um assunto. Se antes a gente procurava por erros de gramática ou de construção de texto, hoje precisamos buscar por emoção, olhar humano e personalidade. Eu, por exemplo, escrevo de uma forma muito simples, zero rebuscada, eu escrevo como eu falo, mas dá pra sentir quando eu amo ou quando estou indignada, mesmo no meu tom mais discreto.
Que não seja o fim da página em branco.
Bernard Arnault na mira do Le Monde 🎯
Bernard Arnault, um dos homens mais ricos do mundo e presidente do grupo LVMH, ganhou uma série de seis reportagens no Le Monde. O jornal francês fez uma grande matéria sobre o bilionário que comanda a Louis Vuitton e a Dior - e Arnault não ficou nem um pouco feliz com o resultado. A newsletter Back Row traduziu as melhores curiosidades reveladas pela série:
No inverno, quando troca o terno por uma gola alta, todos ao seu redor fazem o mesmo.
Ele tem um elevador exclusivo só para si.
Segundo sua mulher, Hélène Mercier, “Bernard não tem amigos”.
Detesta contato físico.
Mantém pianos em seus iates para poder tocar durante as viagens.
A disciplina é quase uma filosofia familiar: todos são magros porque, segundo o texto, evitam qualquer tipo de excesso ou indulgência.
Todas as manhãs, assiste à CNews (espécie de Fox News francesa) dentro de sauna.
Pediu que a Radio Classique, emissora que controla, tocasse apenas cerca de 30 compositores de sua preferência.
O jornal destacou a influência que Arnault exerce sobre os veículos de comunicação que controla. Em uma ocasião, determinou o fim do programa matinal Political Interview, da Radio Classique, porque não suportava ouvir os “absurdos” ditos por convidados de esquerda. A decisão contrariava, inclusive, regras da mídia francesa que exigem equilíbrio entre diferentes posições políticas.
Em 2017, Bernard e seu filho Alexandre entregaram pessoalmente um conjunto de malas Rimowa personalizado para Donald e Melania Trump, além de prometer a abertura de uma fábrica da Louis Vuitton no Texas.
Em 2003, ofereceu uma recepção a Vladimir Putin no Château Cheval Blanc, uma de suas propriedades vinícolas em Bordeaux. Ele chegou a comemorar o impacto da visita afirmando: “Graças ao apoio de Putin, vendemos todo o nosso estoque na Rússia.”
Quando visita a China, é recebido com honras de chefe de Estado, incluindo carros oficiais, batedores e cerimônias militares.
Segundo o jornal, demonstra “pouca preocupação com violações de direitos humanos em regimes ditatoriais".
Festival Filmes Incríveis
De 30 de julho a 12 de agosto, o Cine Belas Artes, recebe o Festival Filmes Incríveis, com longas inéditos de diferentes países, que já assaram por festivais como Cannes, Berlim e Roterdã.
Esta é a terceira edição - eu nunca fui, mas estou super curiosa e fiquei com vontade de ver vários filmes. O festival tem uma vocação natural de apresentar cinematografias originais e pouco vistas no circuito comercial, entre dramas familiares, sátiras sociais, fantasia, suspense, etc. O ingresso custa até 20 reais e passaporte com 5 ingressos sai or R$ 45. Vamos?
Charli no Fashion Neurosis
Minha cantora favorita da nova geração deitou no divã de Bella Freud, para quem contou muitas boas histórias. Vale assistir/ouvir (o episódio é falado em inglês, mas você pode ativar as legendas).
Chloé girls
Os alter egos de Chemena Kamali.
A volta dos colabores fiéis da Chloé: a modelo @raquel_zimmermann 😍😍😍 e a dupla de fotógrafos @inezandvinoodh que assinou as melhores campanhas da história da marca na primeira década dos anos 2000.
A entrada de Chemena trouxe mais sonho, mais força feminina, mais romance e uma grande conexão com a natureza e seus espaços abertos que ecoam uma sensação de liberdade. Poucas marcas conseguem criar uma personagem tão facilmente reconhecível. Quando falamos em Chloé Girl quase todo mundo imagina a mesma mulher. Tem sido as campanhas mais lindas entre as lindas.
Tessere la bellezza
Minha amiga Renata Correa é uma das pessoas mais brilhantes da moda no Brasil. Tudo o que ela faz tem cuidado, qualidade e um ponto de vista.
A Rê é stylist e diretora criativa e assina campanhas de marcas como Cris Barros e Misci, entre muitas outras. E agora, ela se uniu a outra mulher talentosa, a Elisa Atheniense e, juntas, desenvolveram um novo projeto. O Tessere é uma série de lindas peças para casa e acessórios feitos a partir de uma trama de tiras de couro que remete à tapeçaria e criam um efeito tridimensional, lindo e atemporal (aqui, estou encantada pelas bolsas).
Foram meses de pesquisa e trabalho, valorizando o tempo que as artesãs precisam para produzirem cada uma das peças. O lançamento desta coleção acontece dia 5 de agosto, na rua Matheus Grou, em Pinheiros (SP).
Os outros campos de Hick Duarte
Hick Duarte é outro gênio da moda. Sua fotografia sensível e extremamente contemporânea que acostumamos a ver em revistas e campanhas de moda, agora visita outros campos. Neste ano de Copa, ele viajou para vários lugares do Brasil para retratar a relação genuína de pessoas com o futebol. De Alto Paraíso à Floresta Nacional dos Tapajós, passando pela Copa Quilombola Kalunga, em Teresina, Hick descobriu os lugares onde a bola corre longe dos grandes estádios e dos holofotes, em campos de terra, rios, aldeias e vilarejos, revelando diferentes maneiras de viver o futebol no Brasil, mais íntimo, diverso, verdadeiro e longe das bets. Taí uma inspiração pra nossa seleção.



Uma nova série para assistir
Série nova para quem gostou de Dying for Sex e The Dropout. A criadora e produtora executiva Elizabeth Meriwether agora está por trás de Fúria, seriado que entrou há pouco na Disney. Aqui um resumo do resumo: “a agente do FBI Alice Black está atrás de uma serial killer misteriosa e calculista. As duas trilham seus próprios caminhos em busca da justiça e, quando suas vidas se cruzam, a diferença entre o certo e o errado começa a se confundir”. O trabalho é inspirado no filme O Mistério da Viúva Negra (1987).
E pra encerrar 👋 💋
Yes No Okay, Charli xcx














Adorei as fotos de futebol do artista Hick Duarte! Um respiro…
Eu também adoro usar travessão e agora fico me policiando para não usar porque posso ser confundida com IA. hahaha